O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nesta sexta-feira (16) a revisão dos protocolos da Polícia Militar após a trágica morte de três pessoas em surto psicológico, incluindo uma mulher em Pirituba, na Zona Norte da capital. Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi baleada no peito por um soldado da PM enquanto avançava em sua direção com uma faca. O caso gerou forte repercussão e levantou questões sobre o uso da força policial em situações de crise.
Durante a visita à expansão da Linha 2-Verde do Metrô, o governador ressaltou a importância de entender cada circunstância que leva a uma reação policial. “Estamos acompanhando de perto. Cada caso será analisado individualmente. O policial precisa se proteger, mas também precisamos refletir sobre os procedimentos adotados”, disse Tarcísio, prometendo uma reunião com o Comando Geral da PM na próxima semana.
No incidente em Pirituba, o soldado André Coelho Maximo da Costa foi solto após audiência de custódia e deverá cumprir medidas protetivas, como a suspensão de atividades operacionais. O juiz responsável pelo caso considerou que não há risco à ordem pública e que a possibilidade de legítima defesa não pode ser descartada. Testemunhas relataram que Camila estava em um estado de surto e ignorou ordens para largar a faca.
As circunstâncias que levaram ao disparo fatal foram registradas por câmeras de segurança. Apesar de o ex-companheiro de Camila ter alegado que ela o ameaçava, a análise do delegado aponta que a reação do policial foi desproporcional, uma vez que não havia uma investida iminente no momento do tiro.
Além desse caso, dois outros episódios em que policiais dispararam contra homens em surto na mesma semana reacenderam o debate sobre a formação dos agentes e o uso da força. Em um intervalo de sete dias, a PM disparou 69 vezes, resultando em mais mortes. Especialistas questionam se os protocolos de abordagem em situações de crise estão sendo seguidos e defendem a necessidade de um treinamento mais eficaz para lidar com essas ocorrências.
A Secretaria da Segurança Pública reafirmou que não tolera excessos e que todos os casos estão sendo rigorosamente investigados. Com a tensão crescente em torno da atuação da PM, a expectativa é que as medidas anunciadas pelo governador possam contribuir para uma abordagem mais humanizada em situações de emergência.



