sexta-feira, 30/10/2026

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Moradores do Morumbi expressam descontentamento com restrições de acesso em suas residências durante shows do BTS

Os moradores da Zona Sul de São Paulo estão enfrentando sérias dificuldades devido às restrições de acesso impostas pela Live Nation durante os shows do BTS, que começam nesta sexta-feira (30) no estádio do…

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Os moradores da Zona Sul de São Paulo estão enfrentando sérias dificuldades devido às restrições de acesso impostas pela Live Nation durante os shows do BTS, que começam nesta sexta-feira (30) no estádio do Morumbi. A produtora, em parceria com a Prefeitura, instituiu um sistema de controle que limita a entrada e saída dos residentes em suas próprias casas.

A situação gerou descontentamento entre os moradores, que se sentem desprotegidos e desrespeitados. Para entrar ou sair de suas residências, eles precisam fazer um cadastro online que exige informações pessoais e do imóvel, além de um QR Code ou adesivo de identificação para veículos. As regras estipulam que cada imóvel pode ter no máximo seis pessoas cadastradas, com direito a apenas duas saídas ou entradas por dia, o que muitos consideram um verdadeiro desrespeito ao direito de ir e vir.

Thais Aguiar, produtora cultural e moradora da região há mais de dez anos, expressou sua indignação: “É surreal ser limitada a sair de casa apenas duas vezes por dia. E o que acontece quando preciso fazer compras ou resolver algo urgente?” A reclamação ecoa entre outros moradores, como Pedro Chaim, que não conseguiu realizar o cadastro devido a problemas no site da Live Nation e se opõe à necessidade de fornecer dados pessoais a uma empresa privada.

A burocracia e as limitações impostas também preocupam os residentes mais idosos, que podem ter dificuldades em lidar com a tecnologia necessária para o cadastro. “Muitos deles não têm celular e não vão conseguir pegar um QR Code todo dia. Isso é inaceitável”, comentou Chaim, destacando a falta de consideração pelas necessidades da comunidade.

Em resposta a essas reclamações, o vereador Nabil Bonduki (PT) se manifestou contra a privatização do espaço público e a falta de alternativas para os moradores. “Não se pode impedir que alguém receba visitas ou serviços devido a um evento privado. Isso é inconstitucional”, afirmou.

Apesar da insatisfação, a associação de moradores AME Morumbi justifica as medidas como uma forma de organizar o entorno e evitar aglomerações indesejadas. Um dos diretores, que preferiu não ser identificado, argumentou que a intenção foi melhorar a segurança e minimizar os impactos que eventos desse porte podem causar na rotina da comunidade.

Enquanto a prefeitura e a Live Nation ainda não se pronunciaram sobre as críticas, os moradores seguem apreensivos, aguardando a realização dos shows e a liberação das vias. O evento deve atrair cerca de 85 mil pessoas por dia, e a expectativa é que a situação se normalize após as apresentações, mas o sentimento de insegurança e descontentamento já se instalou entre os que vivem nas proximidades do estádio.