A Justiça de São Paulo decidiu na madrugada desta sexta-feira (30) pela condenação de Fernando Sastre de Andrade Filho a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicialmente fechado. O empresário, motorista de um Porsche que se envolveu em um acidente fatal com o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em março de 2024, foi considerado culpado por homicídio com dolo eventual e lesão corporal gravíssima. O julgamento, que se estendeu por dois dias, foi marcado por reviravoltas nas versões apresentadas pelo réu e por testemunhas.
Uma das questões mais debatidas foi a ingestão de álcool por Sastre antes de dirigir. Inicialmente, o empresário havia negado qualquer consumo de bebida, mas acabou admitindo durante o julgamento que tomou dois drinques à base de uísque. Essa mudança de versão foi questionada pelo promotor Rodolfo Morais, que destacou que a confissão só ocorreu diante das provas apresentadas em tribunal. A defesa de Sastre, por sua vez, argumentou que ele não teve intenção de cometer o crime, tentando desclassificar o homicídio para a modalidade culposa, onde não há intenção de matar.
Outro ponto discutido no julgamento foi a saída do réu do local do acidente. A defesa alegou que Sastre não fugiu, mas foi liberado pelos policiais para receber atendimento médico. No entanto, a mãe do empresário informou aos policiais que o levaria ao Hospital São Luiz Ibirapuera, mas ele não deu entrada na unidade. Além disso, a mãe de Sastre alegou que ele só foi ao hospital depois de uma semana, o que gerou desconfiança entre os policiais que participaram da ocorrência.
A defesa tentou ainda atribuir o acidente a uma suposta falha mecânica no veículo, apresentando uma perícia particular que indicava problemas no Porsche. Entretanto, a perícia oficial concluiu que o carro estava a 156 km/h no momento da colisão, muito acima do limite permitido. A acusação argumentou que a combinação de alta velocidade e consumo de álcool demonstrava que Sastre assumiu o risco de causar um acidente fatal.
Além disso, foi revelado que amigos de Sastre tentaram convencê-lo a não dirigir naquela noite. Um dos amigos, Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no carro no momento do acidente, confirmou que o empresário havia consumido álcool e que ele próprio sofreu graves lesões em decorrência do acidente.
Ao final do julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade de Sastre na morte de Ornaldo e na lesão de seu amigo. A juíza responsável pelo caso ressaltou que a condenação levou em conta a advertência recebida por Sastre antes de dirigir, além de outros fatores que comprovam a imprudência do empresário. Para muitos, a decisão é um passo importante na busca por justiça, tanto para a família da vítima quanto para a sociedade, que clama por maior responsabilidade no trânsito.



