O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez uma declaração contundente nesta quinta-feira, 15, ao afirmar que o Túnel do Vale do Anhangabaú deveria ter sido fechado antes da forte chuva que causou um alagamento significativo na tarde anterior. O incidente deixou 26 carros e dois ônibus submersos, e Tarcísio ressaltou que, apesar de alertas prévios, a operação de fechamento não ocorreu a tempo.
Durante um evento no Palácio dos Bandeirantes, onde foi lançada a nova Operação “El Niño”, o governador enfatizou a importância de um monitoramento mais robusto para prevenir desastres decorrentes de eventos climáticos extremos. Essa nova operação substitui a tradicional Operação Chuvas e se estenderá até 2027, abrangendo não apenas chuvas intensas, mas também estiagens, ondas de calor e incêndios florestais.
No dia do alagamento, motoristas que estavam no túnel enfrentaram momentos de desespero ao ver a água subir rapidamente. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) iniciou a interdição do túnel às 15h48, mas a entrada de água foi tão intensa que em apenas três minutos o nível da água atingiu um metro. O prefeito Ricardo Nunes, que não estava presente no evento do governador, defendeu o protocolo de resposta ao alagamento, embora reconhecesse que a chuva superou as expectativas.
Com 42 milímetros de chuva em um curto período, o volume foi equivalente a 37% do esperado para todo o mês de outubro. Apesar de as seis bombas de drenagem do túnel terem funcionado, elas não foram suficientes para evitar o alagamento. A prefeitura enviou caminhões equipados com bombas de sucção para auxiliar na drenagem, e a água foi escoada em aproximadamente uma hora.
Este não é o primeiro episódio de alagamento no Túnel do Vale do Anhangabaú. A região já enfrentou situações semelhantes, incluindo um grande incidente em 1999 que submergiu cerca de 160 veículos. Desde então, várias intervenções foram propostas para melhorar o sistema de drenagem, mas a eficácia delas continua a ser uma preocupação, especialmente em dias de chuvas intensas como a de quarta-feira.
A chuva também afetou outras áreas da cidade, resultando em deslizamentos e alagamentos, com uma fatalidade confirmada na Brasilândia. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrou volumes significativos de chuva em várias estações, e as previsões indicam mais chuvas para os próximos dias, o que mantém a população em alerta.
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