sexta-feira, 30/10/2026

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Sou da Paz aponta 92 casos de CACs relacionados a facções criminosas em uma década no Brasil

Um estudo recente do Instituto Sou da Paz trouxe à tona um dado alarmante: entre 2016 e outubro de 2026, foram registrados 92 casos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com…

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Um estudo recente do Instituto Sou da Paz trouxe à tona um dado alarmante: entre 2016 e outubro de 2026, foram registrados 92 casos de envolvimento de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) com organizações criminosas em todo o Brasil. Esses dados, que abrangem uma década, foram analisados a partir de processos judiciais, boletins de ocorrência e reportagens da imprensa.

A pesquisa revela que muitos CACs têm se tornado alvos de facções criminosas, que utilizam esses registros para adquirir armas legalmente e desviar os armamentos para o crime organizado. Bruno Langeani, consultor sênior do instituto, destacou dois padrões principais: um em que indivíduos com registro legal são recrutados por facções e outro em que criminosos falsificam documentos para obter o registro em seu nome.

O levantamento mostrou que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) estão entre os grupos que têm se beneficiado dessa prática, com casos espalhados por 21 estados. São Paulo se destaca com 18 registros, seguido por Espírito Santo e Rio de Janeiro, com 11 e 10 casos, respectivamente.

Os CACs existem no Brasil há bastante tempo, mas a legislação que os rege passou por mudanças significativas nos últimos anos. Durante o governo de Jair Bolsonaro, as regras para a compra de armas foram facilitadas, mas em 2023, com o retorno de Lula ao poder, houve uma revisão dessas normas, restringindo a aquisição de armamentos e retomando a classificação anterior de armas permitidas e restritas.

Um dos casos mais emblemáticos envolve Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, uma figura ligada ao Comando Vermelho que está foragido e possui registros de armas emitidos pelo Exército. Em Minas Gerais, a Operação Ludibrio, realizada em 2022, investigou um empresário que supostamente utilizava documentos falsos para obter registro de CAC e estava vinculado ao PCC.

Na Paraíba, a Operação Fake Shooter desmantelou uma quadrilha que se passava por CACs para comprar armas. No Rio de Janeiro, Luiz Paulo de Lemos Júnior, conhecido como “Chupeta”, também possuía registro e é associado a milícias locais. Essas situações revelam um padrão preocupante de desvio de armamentos legais para o crime organizado.

Eduardo Bazzana, presidente do Clube Americanense de Tiro, foi preso em 2025 sob acusações de fornecer armas ao Comando Vermelho. O levantamento do Sou da Paz ressalta que apenas os casos públicos foram contabilizados, indicando que a verdadeira extensão do problema pode ser ainda maior. Langeani alertou que a abrangência geográfica dos casos aumentou significativamente nos últimos anos, refletindo a diversificação dos grupos criminosos que exploram essa brecha na legislação.

Com a fiscalização agora sob a responsabilidade da Polícia Federal, espera-se que haja um maior controle sobre esses registros. O g1 já solicitou posicionamento das autoridades de segurança pública e aguarda respostas sobre as medidas que estão sendo tomadas para coibir esse tipo de prática criminosa.

Crédito da imagem: Alvo usado por CACs em estande de tiro em São Paulo