A votação do segundo turno das eleições em São Paulo no último domingo (25) foi marcada por controvérsias no transporte público da capital. A Prefeitura, juntamente com a SPTrans, informou à Justiça Eleitoral ter acionado as empresas de ônibus em duas ocasiões para garantir que a frota operasse na totalidade, conforme determinado por decisão judicial. No entanto, essa afirmação foi contestada por diversos passageiros que relataram longas esperas nas paradas.
O documento enviado à Justiça, protocolado às 17h01, não trouxe números concretos sobre a quantidade de ônibus que realmente circularam. Enquanto a administração municipal se defende alegando ter cumprido a ordem de operar com 100% da frota, muitos cidadãos encontraram dificuldades no transporte, sendo forçados a esperar mais de uma hora em algumas regiões da cidade.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) já recebeu os esclarecimentos da prefeitura e agora aguarda manifestação do Ministério Público. A decisão anterior previa uma multa de R$ 100 mil para o prefeito Ricardo Nunes e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, caso as diretrizes não fossem seguidas.
Com base em informações da administração, os primeiros contatos com as operadoras de ônibus foram realizados no sábado (24), e novos acionamentos ocorreram no domingo, mas ainda assim não foi o suficiente para evitar as queixas. A prefeitura alega que todos os esforços foram feitos para garantir que a frota estivesse operando como em dias úteis, incluindo a reserva de 10% da frota para áreas de alta vulnerabilidade social.
Apesar da defesa apresentada, que tenta provar o cumprimento da ordem judicial, não foram fornecidos dados que comprovassem efetivamente a quantidade de ônibus em circulação, o que levanta dúvidas sobre a veracidade das alegações. A prefeitura negou qualquer tentativa deliberada de reduzir a operação, explicando que a permanência de ônibus em garagens fazia parte de uma logística de reserva para cobrir eventuais problemas.
Entretanto, o Partido dos Trabalhadores (PT) denunciou que apenas 60% da frota estaria em operação, o que contraria a ordem judicial. Levantamentos indicam que, por volta das 14h22, apenas 71% dos ônibus haviam saído das garagens. Passageiros de diversas regiões, como Jaraguá e Vila Zilda, relataram a frustração de enfrentar esperas prolongadas, o que gerou um clima de insatisfação generalizada. Com o fim do segundo turno, a expectativa agora se volta para a resposta da Justiça e as possíveis consequências para a administração municipal.
Crédito da imagem: Ônibus parados na garagem em Santana, na Zona Norte de SP.



