domingo, 01/11/2026

23° São Bernardo do Campo Poucas nuvens · máx 26° mín 16°

Piso paulista: Patrimônio de 60 anos em São Paulo enfrenta ameaça de extinção

Em abril, um dos ícones das calçadas de São Paulo celebrou 60 anos, mas seu futuro é incerto. Criado pela artista Mirthes Bernardes, o piso paulista, que representa o contorno do estado, se tornou…

Compartilhe:

Em abril, um dos ícones das calçadas de São Paulo celebrou 60 anos, mas seu futuro é incerto. Criado pela artista Mirthes Bernardes, o piso paulista, que representa o contorno do estado, se tornou um símbolo da identidade da capital. Contudo, a falta de proteção e um plano de preservação realçam o risco de que essa marca histórica desapareça das ruas paulistanas.

Infelizmente, o desenho do piso não possui tombamento e, segundo especialistas, a substituição por materiais mais baratos e a ausência de incentivos adequados ameaçam sua continuidade. Mirthes, que faleceu em 2020, aos 86 anos, não recebeu o reconhecimento que sua obra merecia, nem mesmo compensação financeira pelo uso de seu trabalho.

A história do piso paulista remonta à administração do prefeito Brigadeiro José Vicente Faria Lima, que governou a cidade entre 1965 e 1969. Faria Lima buscava criar uma identidade visual que colocasse São Paulo em pé de igualdade com o calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. De acordo com Pablo Figueiredo, mestre em Design pela FAU-USP, essa proposta fazia parte de um projeto mais amplo de modernização da imagem da cidade.

Apesar da inspiração carioca, a preservação dos símbolos urbanos se desenvolveu de maneira diferente. Enquanto o calçamento de Copacabana, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx, foi protegido como patrimônio, o piso paulista segue sem essa salvaguarda.

O piso passou por transformações ao longo dos anos. Inicialmente feito de pedras portuguesas, ele foi substituído em muitos locais por ladrilho hidráulico, que se tornou popular devido ao custo mais acessível. Essa mudança, que ocorreu em parte durante a gestão do prefeito Paulo Maluf, foi justificada pela prefeitura com alegações de facilidade de manutenção e problemas de acessibilidade.

Atualmente, as normas de acessibilidade exigem que as calçadas sejam firmes, regulares e estáveis. Contudo, a realidade das ruas muitas vezes não atende a essas exigências, com ladrilhos soltos e quebrados dificultando a circulação, especialmente para pessoas com deficiência.

A preservação do piso paulista é um desafio, e a versão original em pedra portuguesa já está quase extinta. O ladrilho hidráulico ainda é comum, mas sua substituição por outros materiais mais simples, como o concreto, é uma tendência preocupante. Com a responsabilidade de manutenção geralmente recaindo sobre os proprietários, muitos optam pela solução mais econômica.

Em resposta a essa situação, a Prefeitura de São Paulo informou que não há um programa específico para o tombamento ou a preservação do piso paulista. Sem medidas concretas, a continuidade desse elemento marcante da identidade visual da cidade fica à mercê de decisões individuais e da ação pública.

Crédito da imagem: Piso paulista vai desaparecer?