A condenação de Fernando Sastre, empresário de São Paulo, a 17 anos e um mês de prisão pelo assassinato do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, levanta questões sobre a condução do julgamento e as evidências apresentadas. A tragédia ocorreu na Zona Leste da cidade em 31 de março de 2024, quando o Porsche dirigido por Sastre colidiu com o carro da vítima, que estava parado. A velocidade excessiva e a embriaguez do réu foram destacados pela acusação, com o laudo do Instituto de Criminalística indicando que o empresário dirigia a cerca de 136 km/h, bem acima do limite de 50 km/h permitido na via.
No decorrer do julgamento, que teve início em 28 de setembro, surgiram controvérsias, especialmente em relação à análise realizada por um perito contratado pela defesa. Alfredo Vieira das Neves, que apresentou uma versão do acidente baseada em imagens, foi acusado de falsidade ideológica após seu testemunho ser contestado por um assistente do Ministério Público, que alegou que ele utilizou imagens diferentes das que foram analisadas oficialmente.
A mãe de Fernando, Daniela de Medeiros Andrade, também teve um papel central ao afirmar que um especialista de sua confiança havia identificado falhas mecânicas no Porsche, o que gerou debates acalorados no tribunal. No entanto, a avaliação do perito foi considerada inconsistente, levando o MP a solicitar a abertura de um inquérito para investigar a conduta do especialista.
Fernando Sastre, durante o julgamento, admitiu pela primeira vez que havia consumido bebidas alcoólicas antes do acidente, contradizendo sua versão anterior de que apenas havia bebido água. Emocionado, ele se dirigiu à família da vítima, expressando seu pesar pela tragédia e pedindo perdão.
Além disso, a namorada de Fernando, Giovana Pinheiro Silva, acabou sendo multada em 10 salários mínimos por tumultuar a sessão do júri, e o MP anunciou que a denunciará por falso testemunho, uma vez que ela insistia que o réu não havia consumido álcool, mesmo após sua confissão.
A condenação de Sastre não apenas marca um desfecho trágico para a família de Ornaldo, mas também gera um debate mais amplo sobre a responsabilização em casos de acidentes de trânsito envolvendo mortes, especialmente quando o acusado não é tratado da mesma forma que outros réus em situações similares, conforme apontou a defesa. O advogado de Sastre criticou a decisão, afirmando que seu cliente é o único a permanecer preso após um acidente desse tipo em São Paulo.



