sexta-feira, 30/10/2026

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Pesquisa da USP revela que 30% dos usuários de drogas sintéticas em SP apresentam fentanil em amostras coletadas

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou um dado alarmante: 32% dos usuários de canabinoides sintéticos em São Paulo apresentaram fentanil na saliva, mesmo sem saber que…

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Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou um dado alarmante: 32% dos usuários de canabinoides sintéticos em São Paulo apresentaram fentanil na saliva, mesmo sem saber que haviam consumido essa substância. O estudo, que envolveu 65 voluntários atendidos em serviços de tratamento psicossocial, destaca um cenário preocupante no uso de drogas na capital.

Os participantes, todos usuários de canabinoides sintéticos, conhecidos popularmente como K2 ou K9, relataram uso das substâncias nos quatro dias que antecederam as entrevistas. As amostras de saliva foram analisadas pelo Laboratório de Toxicologia da FMUSP, e aqueles que testaram positivo para fentanil também manifestaram sintomas severos, como náuseas e dores musculares.

A pesquisa identificou uma preocupação maior entre os usuários em situação de rua e aqueles com um histórico prolongado de uso de drogas sintéticas. As implicações do fentanil, um opioide sintético com fins médicos, são sérias, podendo causar depressão respiratória e até overdoses fatais, especialmente em pessoas sem tolerância.

As autoras do estudo, especialmente Ligia Goes Endo, ressaltam que a pesquisa não determina como os usuários foram expostos ao fentanil. As hipóteses incluem a contaminação de outras drogas ou o uso não relatado de opioides. “A vigilância constante sobre as drogas que circulam é crucial para evitar crises de saúde pública”, comenta Ligia, enfatizando a importância de estratégias de redução de danos e atualizações em protocolos médicos de emergência.

A descoberta do fentanil foi uma surpresa para os pesquisadores, que inicialmente não consideravam sua presença devido ao custo elevado da substância em contraste com o preço das drogas consumidas pelos usuários. Maurício Yonamine, professor da FMUSP, alerta que essa mistura pode ser uma estratégia dos traficantes para aumentar a dependência dos usuários.

Além disso, o psiquiatra Guilherme Kortas, do ambulatório Poli da USP, destaca que a falta de consciência dos usuários sobre a ingestão de fentanil pode dificultar o atendimento em casos de intoxicação, complicando diagnósticos e tratamentos em emergências.

Enquanto isso, a Polícia Civil investiga a origem do fentanil em São Paulo. A apreensão de frascos da substância escondidos em veículos e casos de furto em hospitais são alguns dos indícios que apontam para uma rede de tráfico complexa. Carlos Castiglioni, diretor do Denarc, afirma que a investigação inclui a comparação entre a quantidade de fentanil comprada e a consumida em hospitais, buscando entender se o desvio ocorre na rede hospitalar ou se a substância está sendo produzida clandestinamente.

Ligia finaliza ressaltando a importância de agir agora para evitar uma epidemia semelhante à que os Estados Unidos enfrentam. “Com um monitoramento eficaz, podemos evitar que essa situação se agrave e protejer a saúde pública”, conclui.

Crédito da imagem: USP encontra fentanil em drogas sintéticas