Ailton Ribeiro da Silva, um pai de santo de 64 anos, foi preso na última quinta-feira (5) após ser acusado de assédio sexual por diversos fiéis do Templo Espírita de Umbanda Caboclo Tatuy de Oxóssi, localizado no Jardim Ipê, na zona sul de São Paulo. Com a prisão, a comunidade local se vê abalada por um escândalo que expõe a vulnerabilidade de religiosos e a importância de proteger os frequentadores de abusos dentro de rituais espirituais.
Os relatos das vítimas, que incluem até menores de idade, revelam uma série de abusos que ocorreram durante rituais de Umbanda. As queixas começaram a ser registradas nas delegacias no último mês, levando a uma investigação que culminou na prisão de Ailton. A defesa do pai de santo declarou que se manifestará somente nos autos do processo.
Uma das vítimas é o pai de dois adolescentes que frequentavam o templo. Ele também contou que foi assediado por Ailton quando este supostamente incorporou uma entidade. O homem afirma que, ao questionar o pai de santo sobre o que estava acontecendo, recebeu uma resposta que minimizava o ato como parte do “trabalho espiritual”. O assédio a seus filhos foi descoberto apenas depois que um deles, agora com 16 anos, teve coragem de compartilhar sua experiência traumática.
Os jovens revelaram que Ailton tentava aproximar-se deles de maneiras inapropriadas, e um deles chegou a levar uma faca escondida para o ritual, temendo mais investidas do pai de santo. “Sinto-me enganado. Ele usou a minha fé para cometer abusos”, desabafou o pai, refletindo sobre a traição da confiança depositada em um líder religioso.
No total, dez vítimas já formalizaram denúncias contra Ailton, levando o delegado Antonio Giovanni, do 37° Distrito Policial, a pedir a prisão temporária do religioso. As acusações variam entre estupro de vulnerável e importunação sexual, indicando a gravidade das ações do pai de santo e o impacto nas vidas dos assediados.
A expectativa agora é que, com a divulgação do caso, mais vítimas se sintam encorajadas a se apresentar e relatar suas experiências. Um ex-frequentador do templo, que também foi assediado, comentou que a situação não é isolada e que muitos permanecem em silêncio por medo ou vergonha. “O templo existe há cerca de 30 anos e acreditamos que mais pessoas terão coragem de se manifestar após essa prisão”, concluiu.


