A tragédia que vitimou Rosa Fidelis Gaspar, de 47 anos, na Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, reacende o debate sobre os perigos enfrentados por quem reside em áreas de risco. Rosa foi soterrada por um deslizamento de terra que ocorreu no Jardim Paraná, um local onde ela já expressava seu medo de viver há mais de dois anos.
Na tarde do deslizamento, Rosa estava sozinha em casa quando parte do solo acima de seu imóvel cedeu. Em uma entrevista realizada em janeiro de 2024, ela havia compartilhado sua angústia sobre a falta de opções de moradia. “Porque eu preciso. Porque eu comprei aqui e eu preciso. Eu não tenho outro lugar pra eu morar”, desabafou na ocasião.
Moradora antiga da região, Rosa também relatou um acidente que a deixou com dificuldades de locomoção, agravado pelas chuvas que já invadiam sua casa no momento em que conversou com a equipe de reportagem. “Com fé em Deus eu volto a andar, que eu tenho fé que eu volto a andar”, disse, demonstrando sua resiliência diante das adversidades.
O clima de tristeza e medo tomou conta do Jardim Paraná após sua morte. Cleoneide Lourenço da Silva Tramare, uma vizinha, expressou sua dor: “Difícil, muito difícil, meu coração chora… muito difícil”, disse, referindo-se ao sofrimento coletivo da comunidade, que permanece vulnerável às intempéries.
Com cerca de 6 mil habitantes, o Jardim Paraná é classificado pela Prefeitura como uma área de risco muito alto para deslizamentos e enchentes. As casas, muitas delas construídas em encostas, estão em situações precárias, e a tragédia de Rosa é um lembrete amargo da realidade vivida por muitos ali.
A cidade de São Paulo possui quase 194 mil moradias em áreas geologicamente arriscadas, com mais de 12 mil em categorias de risco muito alto. A Prefeitura afirmou que, nos últimos três anos, tem tentado retirar as famílias dessas áreas, oferecendo auxílio-aluguel, mas muitos moradores se recusaram a deixar seus lares.
Após o deslizamento, a prefeitura interditou 11 imóveis e programou novas vistorias na região. Enquanto isso, o velório de Rosa Fidelis Gaspar acontece nesta sexta-feira (16), no Cemitério Dom Bosco, em Perus, às 13h30, com o enterro marcado para as 14h30. Sua história e luta permanecem na memória de todos que a conheceram.



