sexta-feira, 30/10/2026

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Lula relembra Hino da Independência em ato na Paulista, destacando a soberania nacional

No último fim de semana, a Avenida Paulista se transformou em um verdadeiro mar de apoiadores do presidente reeleito Lula (PT) durante dois momentos emblemáticos da campanha eleitoral. No primeiro ato, no sábado (24),…

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No último fim de semana, a Avenida Paulista se transformou em um verdadeiro mar de apoiadores do presidente reeleito Lula (PT) durante dois momentos emblemáticos da campanha eleitoral. No primeiro ato, no sábado (24), e na celebração da vitória no domingo (25), o Hino da Independência do Brasil ecoou como um símbolo de liberdade e soberania, reforçando a mensagem de que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

O presidente, que conduziu seu discurso em um trio elétrico ao lado de sua esposa Janja e de importantes aliados políticos, aproveitou a oportunidade para conectar seu discurso ao sentimento de autonomia nacional. Lula pediu que o hino fosse tocado novamente após a vitória, ressaltando que a escolha tinha um significado profundo, especialmente em tempos de disputas sobre o que representa a soberania nacional.

O Hino da Independência, composto em 1822 pelo Imperador D. Pedro I e com letra de Evaristo da Veiga, é um marco da história brasileira, celebrando a emancipação do país. Em tempos recentes, os símbolos nacionais, como a bandeira e os hinos, têm sido alvo de disputas políticas, especialmente por parte da extrema-direita, que buscou apropriá-los como parte de sua identidade.

Durante o ato na Avenida Paulista, a reação do público ao som do hino foi inicialmente de estranheza, mas rapidamente se transformou em emoção coletiva, com os manifestantes cantando em uníssono. Essa transformação é vista como um reflexo do desejo de reapropriação dos símbolos patrióticos por uma frente mais inclusiva e democrática.

A cientista política Tathiana Chicarino analisa que, para Lula, a soberania está atrelada à autonomia do Brasil frente às pressões internacionais, ao contrário da interpretação de seus adversários que, como Flávio Bolsonaro, utilizam o termo em um contexto de segurança pública. Essa polarização revela uma disputa mais ampla sobre o significado de ser brasileiro e o que representa o patriotismo nos dias de hoje.

Além disso, a pesquisadora observa que a apropriação dos símbolos nacionais por uma única ideologia não deve ser aceita. O patriotismo, segundo ela, deve ser uma bandeira compartilhada, capaz de unir os brasileiros em suas diversidades. A presença do Hino da Independência nos atos de Lula serve, portanto, como um convite à reflexão sobre a inclusão e a pluralidade que devem estar presentes na construção da identidade nacional.

Com isso, o retorno ao uso de símbolos como o Hino da Independência promete reabrir o debate sobre o que é ser brasileiro, desafiando o monopólio da extrema-direita sobre a representação do patriotismo no Brasil e convidando todos a se sentirem parte dessa narrativa.