O Brasil vive um momento histórico com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que agora divide com Franklin Delano Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos, o recorde de quatro mandatos conquistados pelo voto popular em democracias. A vitória nas urnas no último domingo (25) não só reafirma a relevância do petista na política nacional, mas também o coloca em um patamar singular na história das eleições democráticas.
Desde sua primeira eleição em 2002, passando pela reeleição em 2006 e o retorno ao poder em 2022, Lula continua a escrever sua história. Eduardo José Grin, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que essa vitória é um marco não apenas para Lula, mas para a democracia brasileira, ao compará-lo com Roosevelt em contextos de eleições livres e competitivas. “A comparação é válida apenas em contextos democráticos, não em regimes que se autodenominam democráticos, mas que não garantem a verdadeira competição”, afirma o professor ao g1.
Vale lembrar que nos Estados Unidos, Roosevelt foi eleito sem um limite de mandatos, situação que mudou em 1947 com a aprovação de uma emenda constitucional. No Brasil, a legislação permite a um ex-presidente concorrer novamente após um intervalo, como foi o caso de Lula, que retornou ao cargo em 2023 após vencer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nascido em 27 de outubro de 1945 em Garanhuns, Pernambuco, Lula é o sétimo de oito filhos de uma família humilde. Sua trajetória até chegar ao Planalto é marcada por desafios e superações. Após se mudar para São Paulo com a família em busca de melhores condições de vida, ele enfrentou uma infância difícil, trabalhando desde cedo em diversos ofícios até se tornar metalúrgico.
O engajamento de Lula no movimento sindical, que começou na década de 1970, foi crucial para seu futuro político. Suas greves no ABC paulista durante a ditadura militar chamaram a atenção do país e o levaram a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT) em 1980, além de ser um dos idealizadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A luta por direitos trabalhistas e pela democracia culminou na sua eleição como deputado federal em 1986 e, posteriormente, na conquista da presidência em 2002, após várias tentativas frustradas.
Mesmo enfrentando adversidades, como condenações que foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e um período de prisão, Lula não se deixou abater. Sua resiliência e capacidade de mobilização foram fundamentais para sua volta triunfal ao Palácio do Planalto. Ao completar 81 anos, ele se reafirma como uma figura central na política brasileira, agora com um quarto mandato nas mãos e uma nova oportunidade de deixar sua marca na história do país.
Crédito da imagem: Franklin Roosevelt e Lula (PT)



