A Justiça de São Paulo decidiu pela demolição imediata de um prédio em construção da construtora New Home, que também é responsável pelo edifício que desabou na Penha, resultando na morte de seis pessoas. A determinação se aplica a uma obra localizada na Avenida Padres Olivetanos, nº 455, na Vila Esperança, também na Zona Leste da cidade. Este prédio estava abandonado e já havia sido embargado pela subprefeitura local.
A situação se agravou com uma ação judicial movida por uma escola infantil nas proximidades, que precisou encerrar suas atividades devido aos riscos estruturais apresentados pela construção. O juiz Alberto Carlos Nogueira Costa, da 2ª Vara Cível do Foro Regional da Penha, destacou a “necessidade de demolição compulsória” após a identificação de problemas sérios na estrutura do prédio. O laudo técnico revelou falhas significativas, como vigas sem concretagem e ferragens expostas à corrosão, o que gerava um risco iminente de deslizamento.
O juiz enfatizou a urgência da demolição, permitindo que a Prefeitura de São Paulo contrate uma empresa para realizar o serviço sem licitação e estabelecendo uma multa que varia de R$ 5 mil a R$ 100 mil por dia caso a ordem não seja cumprida.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) confirmou que já foi notificada e está elaborando um cronograma para a demolição. A Subprefeitura da Penha já havia interditado a obra em setembro, e a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) havia negado os alvarás para a construção em datas anteriores.
O desabamento do prédio na Rua Tequici, que deixou seis mortos, é um triste marco na história da construtora New Home. Os sócios envolvidos, Cristiano Salgado Vivaqua e Isis de Freitas Rodrigues Brandão, permanecem foragidos e são apontados como responsáveis pela obra que causou a tragédia. Eles enfrentam investigações por homicídio e possíveis fraudes contra clientes que confiaram suas economias à construtora.
Além da tragédia, a construtora é alvo de diversas denúncias de estelionato, com clientes reclamando de não receberem os imóveis prometidos. Um comerciante, por exemplo, revelou que investiu mais de R$ 380 mil e nunca teve o imóvel entregue. A insatisfação gerada por essas situações levou a um grupo de vítimas a se unir em busca de justiça, enquanto a Prefeitura tomou medidas para embargar 29 empreendimentos ligados às construtoras investigadas.
Em meio a essa crise, a população da Zona Leste se vê em uma situação de incerteza, com a esperança de que as investigações tragam respostas e um desfecho justo para todos os envolvidos, especialmente aqueles que perderam entes queridos e suas economias em meio a promessas não cumpridas.



