sexta-feira, 30/10/2026

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Familiares de vítimas em surto durante ações policiais pedem respostas: ‘Ninguém deveria morrer assim

Nos últimos dias, a tragédia se abateu sobre São Paulo com a morte de três pessoas em crises psiquiátricas, durante intervenções da Polícia Militar. Os casos de Gustavo, Camila e Antônio reacenderam um debate…

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Nos últimos dias, a tragédia se abateu sobre São Paulo com a morte de três pessoas em crises psiquiátricas, durante intervenções da Polícia Militar. Os casos de Gustavo, Camila e Antônio reacenderam um debate alarmante sobre a forma de atuação das forças de segurança em situações delicadas como essa. Para os familiares, o que se esperava era um atendimento humanizado, e não uma resposta violenta.

O caso de Gustavo Muniz de Santana, um estudante de 20 anos, chocou a todos. Ele foi abordado pela polícia no dia 10 de outubro, após um chamado para uma tentativa de suicídio. De acordo com as investigações, Gustavo não portava arma, mas foi atingido por 27 disparos em uma ação que envolveu 45 tiros em questão de segundos. A mãe do jovem, que já havia enfrentado problemas de ansiedade, lamentou a tragédia: “Ele nunca tentou suicídio. É difícil entender o que estava na mente dele naquele momento”. Os policiais envolvidos estão afastados e podem responder por homicídio.

Outro caso que gerou indignação foi o de Antônio Nunes Batista, de 40 anos, que tinha um histórico de problemas psiquiátricos. Durante uma abordagem na Zona Norte, ele estava armado com uma faca e uma barra de ferro. Os policiais utilizaram inicialmente uma arma de choque, mas, alegando que isso não foi suficiente, dispararam 24 vezes contra ele. A família acredita que alternativas menos letais poderiam ter sido usadas para conter a situação.

Camila Pereira da Silva, de 32 anos, é mais uma vítima dessa onda de violência. Ela enfrentava problemas de saúde e, segundo parentes, estava armada com uma faca e em um momento de desespero. Após não atender aos comandos dos policiais, foi alvejada e morreu no local. O delegado do caso classificou a ação como uso desproporcional da força, levando à prisão do policial, embora a Justiça tenha concedido liberdade provisória.

Especialistas em saúde mental têm defendido que, em situações de crise, a abordagem deve ser diferente. A intervenção deve contar com o apoio de profissionais da saúde, pois o diálogo em momentos de surto é extremamente desafiador. “Precisamos de uma abordagem que priorize a vida, com a presença de assistentes sociais e profissionais de saúde para evitar tragédias”, disse uma especialista à reportagem.

Em resposta aos recentes acontecimentos, o governador Tarcísio de Freitas anunciou uma revisão nos procedimentos da Polícia Militar, com foco em treinamentos que priorizem a preservação da vida. No entanto, a dor das famílias é imensurável. A mãe de Gustavo expressou o que muitos sentem: “Ele era alegre e feliz. A vida segue, mas a saudade é imensa”.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Sunriseforever (pixabay)