Em São Paulo, uma investigação do Tribunal de Contas do Município (TCM) está revelando possíveis irregularidades em contratos da prefeitura com a agência de turismo MM Quarter. O foco é o ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, que é suspeito de ser um sócio oculto da empresa, levantando preocupações sobre corrupção e falta de transparência nas licitações públicas.
A auditoria do TCM identificou indícios de fraudes e favorecimento em licitações que resultaram em um total de R$ 101,4 milhões pagos à MM Quarter entre 2022 e 2026. A maior parte desse valor, R$ 77,8 milhões, foi repassada pela São Paulo Turismo (SPTuris), vinculada à Secretaria Municipal de Turismo, e R$ 23,5 milhões pela própria SMTUR. A empresa, que forneceu serviços como guias turísticas bilíngues para o Carnaval de rua, tinha pelo menos 24 contratos com a administração municipal, totalizando R$ 239 milhões.
O escândalo começou a ganhar destaque após reportagens do portal Metrópoles, que mostraram os laços entre Marinho e a proprietária da MM Quarter, Nathalia Carolina da Silva Souza. A Controladoria Geral do Município (CGM) encontrou uma procuração que dava a Marinho amplos poderes sobre a empresa, resultando em sua exoneração pelo prefeito Ricardo Nunes e na demissão do presidente da SPTuris, Gustavo Pires.
O relatório do TCM, que se baseia em uma representação feita por deputados do PSOL, revelou que houve tratamento diferenciado nas licitações, favorecendo a MM Quarter em detrimento de empresas concorrentes que apresentaram propostas mais vantajosas. Além disso, a auditoria indicou que a prefeitura extrapolou os limites de gastos estabelecidos nas Atas de Registro de Preços, resultando em um superfaturamento significativo.
O ex-secretário Marinho se manifestou, afirmando que está disposto a esclarecer sua atuação assim que for notificado formalmente. A MM Quarter, por sua vez, declarou que está colaborando com as investigações e que seus contratos foram realizados dentro da legalidade.
Enquanto isso, a gestão municipal garante que não há mais contratos vigentes com a MM Quarter e que está comprometida em apurar quaisquer irregularidades. O caso segue em análise, e o plenário do TCM poderá encaminhar o assunto ao Ministério Público para investigações adicionais.



