sexta-feira, 30/10/2026

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Brasilândia: Mulher que faleceu em deslizamento havia enfrentado tragédia semelhante há 8 anos e salvou netos na ocasião, conta filho.

Uma tragédia marcou a vida da comunidade da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, com a morte de Rosa Fidelis Gaspar, que foi soterrada por um deslizamento de terra após um forte temporal…

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Uma tragédia marcou a vida da comunidade da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, com a morte de Rosa Fidelis Gaspar, que foi soterrada por um deslizamento de terra após um forte temporal na última quarta-feira (14). Rosa completou 47 anos apenas nove dias antes da fatalidade, e sua história é um lembrete doloroso dos riscos que muitos moradores enfrentam em áreas vulneráveis da cidade.

Moradora da região, Rosa já havia vivido um susto semelhante há oito anos, quando um deslizamento a pegou de surpresa. Naquela ocasião, ela conseguiu salvar dois netos recém-nascidos, mas, desta vez, a situação foi diferente. O filho dela, Luiz da Paz Pereira Santos Neto, relembra o momento em que sua mãe escapou da primeira tragédia: “Ela ouviu um barulho e conseguiu sair a tempo. Foi um livramento”, contou.

Após o primeiro deslizamento, a família se esforçou para reconstruir a casa de Rosa, onde ele morava ao lado dela. No entanto, na última quarta-feira, a terra cedeu novamente, e a residência, construída em uma encosta, desmoronou. Rosa, que estava com um joelho machucado e caminhando com dificuldades, não conseguiu escapar. O marido ficou sabendo do deslizamento enquanto estava nas proximidades e encontrou vizinhos tentando resgatar Rosa dos escombros. Infelizmente, apesar dos esforços do Corpo de Bombeiros, ela não resistiu.

A perda de Rosa deixa um vazio imenso na família, que agora conta com três filhos e quatro netos, incluindo uma criança de apenas um ano e meio. A filha, Ritiene Fidelis, descreveu sua mãe como uma mulher generosa e guerreira. “Ela era tudo para nós, uma mãe, amiga e uma pessoa de coração gigante”, lamentou. Ritiene também ressaltou a dificuldade financeira da família, que não conseguiu deixar a área de risco: “Se tivéssemos condições, poderíamos ter saído”, desabafou.

A região onde Rosa vivia já foi classificada pela Prefeitura como uma área de risco geológico, e a tragédia dela é um lembrete da vulnerabilidade que muitos moradores enfrentam. A tempestade que causou sua morte resultou em várias outras ocorrências de alagamentos e deslizamentos pela cidade, com a Brasilândia sendo uma das áreas mais afetadas. Rosa foi a quinta vítima fatal das chuvas apenas em 2026.

O temporal que atingiu a cidade deixou um rastro de destruição, com ruas alagadas, carros submersos e danos significativos à infraestrutura. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrou 42 milímetros de chuva em apenas 40 minutos, destacando a intensidade do fenômeno. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a quantidade de chuva foi equivalente a 40% do que era esperado para o mês inteiro.

A situação é um alerta não apenas para a Brasilândia, mas para toda a cidade, onde as condições climáticas extremas e a urbanização desordenada colocam em risco a vida de muitos cidadãos. Rosa, que tinha uma vida toda pela frente, agora é uma lembrança da luta diária enfrentada por quem vive em áreas vulneráveis de São Paulo.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — arabervollblut (pixabay)