Na noite de domingo (18), um estudante de São Paulo se viu diante de uma situação lamentável de injúria racial na estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela do metrô. Márcio Ferreira, que filmou o incidente, registrou a mulher ofendendo-o com palavras como “preto de bosta”, em meio a um clima tenso após uma manifestação política na Avenida Paulista.
O desentendimento começou após a mulher, identificada como bolsonarista, disparar ofensas homofóbicas a um grupo. Márcio, que estava presente, decidiu intervir na tentativa de apaziguar a situação. “Eu disse que não precisava brigar, mesmo sendo de lados opostos. Foi então que ela começou a me ofender”, relatou. Ao tentar se afastar, ele percebeu que a mulher não só o seguia, mas intensificava as ofensas enquanto subiam pela escada rolante.
Ao chegar ao topo da estação, a mulher virou o jogo, acusando Márcio de agressão. Durante uma breve troca de palavras, ela chegou a admitir que havia feito comentários racistas, mas tentou justificar seu comportamento ao mencionar que tem familiares negros. “Deixa eu te mostrar a foto da minha família. Meu filho é preto”, disse, sem entender que isso não diminui a gravidade do que havia dito.
O estudante, que registrou um boletim de ocorrência, afirmou que a experiência o deixou com um sentimento de culpa, embora saiba que não é responsável pelas ofensas que recebeu. “É difícil tirar esse sentimento de culpa que a gente carrega agora. Eu pego metrô todos os dias para trabalhar e estudar. É uma situação que poderia acontecer com qualquer um”, lamentou.
O Ministério Público, por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi), já requisitou a abertura de um inquérito policial para investigar o caso. A Motiva, concessionária responsável pela Linha 4-Amarela, foi contatada para explicar as medidas que tomarão em relação ao incidente, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Márcio reafirma que este não é um caso isolado e destaca a importância de denunciar a intolerância racial. “A culpa é dela. Ela é racista. Precisamos falar sobre isso”, finalizou, um convite à reflexão sobre a realidade da discriminação no cotidiano das pessoas.



