sexta-feira, 30/10/2026

16° São Bernardo do Campo Neblina · máx 24° mín 16°

Mulheres enfrentam longas filas para consultas com ginecologistas na rede pública de São Paulo; espera pode chegar a um ano

Em meio às campanhas de conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero, mulheres de São Paulo enfrentam um desafio alarmante: a dificuldade de agendar consultas com ginecologistas na rede pública de…

Compartilhe:

Em meio às campanhas de conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero, mulheres de São Paulo enfrentam um desafio alarmante: a dificuldade de agendar consultas com ginecologistas na rede pública de saúde. Esse cenário é especialmente preocupante em outubro, mês dedicado a alertar sobre a importância de exames como o Papanicolau. Apesar das mensagens nos cartazes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade, a realidade para muitas pacientes é de longas esperas e frustrações.

A dona de casa Elizabeth Fiorini compartilha sua experiência ao acompanhar a irmã em consultas médicas. Mesmo após a triagem com um clínico geral, o encaminhamento para um ginecologista resulta em mais obstáculos. “Já ouviram que não há agendamento disponível. É um desânimo constante”, desabafa. A situação é semelhante para Rosilene Nilda, que relata esperar até três meses apenas para consultar um clínico geral, sem sucesso em suas tentativas pelo aplicativo Agenda Fácil.

Durante uma visita a duas UBSs na Zona Sul, a reportagem ouviu relatos de pacientes que, como a cabeleireira Clemenir Gomes Costa, não conseguiram agendar uma consulta com ginecologista há mais de um ano. “É angustiante ter que ir todos os dias tentar uma vaga, como se não tivéssemos mais nada para fazer”, lamenta.

A dona de casa Josélia da Silva Oliveira conseguiu finalmente marcar uma consulta para novembro, após uma longa espera desde janeiro. No entanto, sua frustração aumentou ao não conseguir fazer os exames necessários na data marcada. “Parece que tudo se arrasta, e o tempo só vai passando”, afirma.

A dificuldade em obter atendimento adequado não é um caso isolado. Luciana Silva, que já passou por um exame com um atraso significativo, teve que lidar com a insatisfação do médico ao apresentar um resultado vencido, o que ressalta a seriedade do problema. “Demora demais para conseguir retorno, e quando conseguimos, é sempre uma correria”, destaca.

O ginecologista Sérgio Podgaec, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, alerta que os atrasos no diagnóstico podem ser fatais. “A detecção precoce é crucial para o tratamento eficaz de doenças como o câncer de colo de útero e mama”, enfatiza. Para muitas mulheres, a realização de exames regulares é uma questão de vida ou morte, e a atual situação da saúde pública em São Paulo gera preocupação e insegurança.

A Prefeitura de São Paulo, por meio de nota, negou a existência de uma demanda reprimida para atendimentos ginecológicos e destacou que mais de 673 mil atendimentos foram realizados nas UBSs entre janeiro e julho deste ano. Além disso, mencionou a abertura de novos Centros de Exames da Mulher. Contudo, as vozes das mulheres que enfrentam diariamente as dificuldades do sistema de saúde revelam uma realidade que, para muitas, contradiz as informações oficiais.