O cenário do trânsito em São Paulo apresenta uma preocupação crescente: as mortes no trânsito aumentaram nos primeiros nove meses de 2026, com os motociclistas sendo as principais vítimas. De janeiro a setembro deste ano, 782 pessoas perderam a vida em acidentes, um aumento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025, que registrou 770 mortes.
O que mais chama a atenção é que quase metade das vítimas era composta por motociclistas — 48% do total. Mais de 370 vidas foram ceifadas em acidentes envolvendo motos, enquanto cerca de 300 pessoas foram atropeladas, de acordo com dados do Infosiga, sistema gerido pelo Detran. Essa tendência alarmante de aumento nas fatalidades de motociclistas não é nova; desde 2017, o número de mortes desse grupo cresceu impressionantes 74%, mesmo com a implementação da Faixa Azul em 2022, que visa melhorar a circulação das motos.
Para especialistas em mobilidade urbana, o aumento da frota de motocicletas em São Paulo, que já ultrapassa 1,17 milhão, é um dos fatores que contribuem para esse cenário, mas não o único. Ana Carolina Nunes, especialista na área, destaca que as condições das vias, o comportamento dos motoristas e a fiscalização são igualmente críticos para a segurança no trânsito. “Motociclistas não têm uma estrutura metálica ao seu redor e podem atingir velocidades muito altas. Essa combinação de alta velocidade e falta de proteção os torna mais vulneráveis”, afirma.
A imprudência nas ruas é um combustível perigoso para esse problema. O avanço do sinal vermelho, o uso inadequado de corredores de ônibus e ciclovias são apenas algumas das infrações que colocam em risco a vida dos motociclistas. Ana Carolina enfatiza que iniciativas de infraestrutura, como a Faixa Azul, precisam ser acompanhadas por uma fiscalização rigorosa para que surtam efeito. “Essas ações não fazem diferença se não houver fiscalização associada”, alerta.
Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, também aborda a relação entre a imprudência e a falta de punição, afirmando que “a imprudência é vinculada à impunidade”. Ele ressalta a importância de radares eficazes, que consigam identificar motocicletas, para coibir as infrações. Vale lembrar que, apesar de São Paulo ter um número maior de ruas e avenidas em comparação ao Rio de Janeiro, a cidade conta com menos radares de fiscalização: 879 em comparação a 1.042 no Rio.
A Prefeitura de São Paulo se posicionou, informando que está constantemente trabalhando para melhorar a segurança no trânsito, através de campanhas de conscientização e ações de fiscalização nas ruas. A administração municipal alega que a Faixa Azul reduziu em 26% a gravidade dos acidentes com motocicletas e que uma equipe técnica está avaliando a necessidade de novos radares na cidade.
Crédito da imagem: Mortes de motociclistas disparam 74% na capital em 10 anos



